Cinemaju - Sétima Arte

sábado, março 04, 2006


Munique

- sinopse

Nas Olimpíadas de Munique em 1972, atletas israelenses são sequestrados por terroristas palestinos. A conclusão do sequestro, e as incursões da polícia secreta israelense, a Mossad, são mostradas no novo filme de Steven Spielberg.

- israelenses e palestinos

Durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus foram expulsos de seus lares na Alemanha e Polônia, e tiveram seus bens confiscados pelos nazistas. Além disso, sofreram os horrores do holocausto. Em 1947, no pós-guerra, foi criado o Estado de Israel, o que representou para muitos, uma nova residência próxima à capital sagrada, Jerusalém. Lá, um outro povo vivia, os palestinos, fiéis seguidores da religião islâmica.
Uma disputa por territórios, religião e poder, então, começou. De um lado Israel e o judaísmo, com apoio dos países que promoveram sua fundação, Inglaterra e Estados Unidos, e do outro lado, a Palestina e o islamismo, sob apoio de vários países islâmicos do Oriente Médio. A partir da criação da OLP ( Organização para Libertação da Palestina ), o conflito político se alastrou, e o aparecimento de grupos terroristas como o Hamas e o Hezz-Bollah, desencadearam mais mortes e ataques suicidas.
O nome do filme, Munique, induz a idéia de que a ação decorre toda sobre o sequestro dos atletas israelenses em 1972 por terroristas palestinos, porém, o filme trata muito mais sobre as consequências desse ato. Baseado em fatos reais, Munique expõe o jogo de atentados e vinganças entre judeus e palestinos, uma briga histórica, que parece estar enraizada na consciência desses povos. Eric Bana faz um agente da Mossad, polícia secreta israelense, encarregado de assassinar onze terroristas palestinos; para isso, ele é responsável por liderar quatro outros agentes.
As ações e confusões do grupo são mostradas no filme, onde os personagens são caracterizados como inseguros e despreparados para os atentados. Incrível é a quantidade de dinheiro investida por Israel para localizar os nomes da lista negra, coisa de duzentos mil dólares por nome ( para aquela época?!).
Munique mantém linha de não defender nenhuma das partes envolvidas. Procura mostrar, apenas, que a perda de entes e conterrâneos é dolorosa, e a violência de judeus ou palestinos apenas traz mais vingança.

- Spielberg

Steven Spielberg volta às suas raízes judaicas com Munique, realizando uma bela reconstituição de fatos, e expondo uma vez mais a temática da família, que parece ser uma de suas favoritas. É forte candidato ao Oscar.
O elenco é muito bem dirigido e passa grande naturalidade à trama. Geoffrey Rush, Eric Bana e o resto do elenco são ótimos. Bana ( Hulk, Tróia ) se encaixa bem no papel do agente que ao assassinar terroristas, começa a gostar do que faz, apesar de perceber depois, que sem sua família, não dá para continuar. Estranho são os sonhos de Bana sobre o sequestro dos atletas, parecendo descaracterizado com o personagem.
O filme acerta em cheio, e consegue passar com bastante realismo, uma mensagem de paz, sem desmerecer israelenses ou palestinos.

sexta-feira, março 03, 2006


SYRIANA

- sinopse

Diferentes histórias e personagens se cruzam para criar um grande painel sobre a indústria do petróleo e suas implicações — terroristas, especuladores, agentes da CIA, cultura e religião se misturam no complexo jogo de interesses que é Syriana.

- petróleo

No meio da riqueza de personagens e situações em Syriana, pergunto-me quem seria o protagonista? Não demoro para responder que o cargo está ocupado pelo petróleo. O ouro negro envolve a vida de todos no filme; e são marionetes, simples, sem entender o grande jogo de poder, dinheiro e manipulação a fluir.
Traçando um painel geral sobre a indústria do petróleo, Syriana revela a situação de diversos caracteres, que de maneira ou outra sofrem consequências, ou manipulam grandes meios de política e corrupção. Vemos operários de petrolíferas, fundamentalistas religiosos, terroristas, agentes da CIA, presidentes de megacorporações, príncipes e políticos. Todos eles influem de alguma forma para a conclusão do filme.
A história de Bob, agente da CIA vivido por George Clooney, começa por uma venda de armas, cujo destino são as mãos erradas de terroristas. Bob começa a descobrir uma rede de corrupção e influência, que acaba por manipulá-lo, e incriminá-lo como bode espiatório.
Seguindo para o Líbano, o filme fala das ambições de dois príncipes, um, apenas interessado em suceder o trono de seu pai, e outro, Rasir, que junto ao executivo interpretado por Matt Damon, planeja trazer respeito e prosperidade ao seu país. Interessante é o diálogo dos dois últimos sobre como realizar reformas de caráter social e econômico para toda a população.
Entre todas as cenas com executivos de empresas, especuladores e advogados, a que guarda maior valor é o investimento de empresas chinesas no petróleo libanês, o que provoca a fúria do mercado norte-americano e dá origem ao mote do filme. A partir daí, políticos, advogados e executivos irão realizar uma corrente de intrigas, envolvendo a CIA, o Hamas, e o príncipe Rasir.
A arma vendida por Bob chega a um simples operário de empresas petrolíferas, que após ser demitido, e até espancado por soldados israelenses, torna-se seguidor de um fundamentalista religioso com intenção de prepará-lo para cometer atentados.

- o filme

Syriana é dirigido por Stephen Gaghan ( roteirista de Traffic ), e produzido por Steven Sodeberg e George Clooney, cuja atuação como o agente Bob é convincente e concorre ao Oscar. No elenco também estão Matt Damon, Amanda Peet e o veterano Christopher Plummer. De valor são as atuações do núcleo árabe da trama, incluindo o Príncipe Rasir e o jovem operário.
O filme é dividido em pequenas tramas, aparentemente sem relação, que alternam até o final, quando fica comprovado que os pequenos fatores são essenciais para a conclusão. Impressionante é a maestria com que Gaghan mantém o suspense em torno do destino dos personagens; porém as questões familiares mostradas no filme parecem ter pouco a ver com a trama.
Concorrendo ao oscar de melhor roteiro original, Syriana comprova seu pioneirismo realizando um crítico retrato da “sociedade” do petróleo e suas repercussões políticas, religiosas e individuais, além de demonstrar o amplo interesse internacional acerca do oriente médio. Provavelmente, será o fundador de uma geração de filmes sobre o tema.
E o que será do Oriente Médio quando o petróleo acabar?