Cinemaju - Sétima Arte

sábado, fevereiro 11, 2006


Como gostar de cinema brasileiro ?!

- histórico

Bem eu sei que as raízes do cinema nacional estão encravadas muitas décadas atrás, lá pelos idos da Atlântida, onde lendários nomes como Oscarito e Grande Otelo faziam história, e, até hoje fazem no preto e branco das antigas cópias. E outros nomes me vêm também, apesar de só conhecer por audição, mas lembro da figura do ator Mazzaropi, eterno Jeca Tatu, cuja silhueta conheci através de documentários. E houve também o oscar de melhor filme estrangeiro para Orfeu Negro, co-produção entre Brasil e França, e dirigido pelo francês Marcel Camus, em 1959, baseado na peça Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes. Porém, só ouvi falar. É que minha história com o cinema brasileiro começou apenas com o Cinema Novo, do qual pude assistir Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), um dos clássicos de Glauber Rocha. E surgido nessa época também, Arnaldo Jabor fez Eu sei que vou te amar nos anos 80.
Daí, eu assisti a enxurrada de pornochanchadas produzidos a partir dos anos 70, e repetitivamente exibidos pelo Canal Brasil, nomes como O Inseto do Amor, Pecado Horizontal ... resumindo: filmes que não transcendem seus temas, e que dominaram a produção cinematográfica brasileira dos anos 70 e 80. Embora a dificuldade de lançar filmes com temática inteligente fosse fato, devido a forte censura imposta pela ditadura a diretores como Glauber, Ruy Guerra e Jabor, produções como A Estrela Nua, Dona Flor e seus dois maridos e Rio Babilônia representam a qualidade da época. Lembro-me agora dos filmes estrelados pelos Trapalhões para o público infantil, alguns são excelentes, como Os Trapalhões e o Mágico de Oroz, verdadeiro clássico da Sessão da Tarde. Dentre os musicais, o melhor é Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967), aos outros do “Rei” falta emoção.
A partir dos anos 80, surgiu um cinema para jovens, pavimentado pelos filmes Menino do Rio e Garota Dourada. Os Trapalhões continuavam com impulso total, e Xuxa Meneghel lançava os bons Xuxa contra Baixo Astral e Lua de Cristal, infantis, contradizendo sua estréia no polêmico Amor Estranho Amor. Enquanto apareciam filmes com os pseudo-atores Faustão, Sérgio Mallandro, Conrado, Supla, e até o grupo Dominó, Neville de Almeida ainda lançava suas produções abordando prostituição, violência, corrupção e drogas. “Matou a família e foi ao cinema”.

- a Retomada

É considerada a retomada da produção cinematográfica brasileira, a estréia do filme Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995) de Carla Camurati. Edificada, ainda, por lançamentos como O Quatrilho (1995), O que é isso companheiro?, e recentemente Cidade de Deus. Durante esses dez anos de uma atividade consistente, e, crescente, o cinema nacional faz bonito em filmes que aliam bons roteiros, atuação e direção, sendo exemplos O Invasor, Carandiru, O Homem do Ano, Espelho d’água - Viagem ao Rio São Francisco, O Homem que copiava, As Meninas, Gaijin - Ama-me como sou, Mauá - o Imperador e o Rei, Benjamim, O Coronel e o Lobisomem, além dos novos clássicos, O Auto da Compadecida, o cult Durval Discos, e claro, Cidade de Deus.
Mesmo com a onda de filmes citados, parece que há grande interesse de investidores e da TV aberta em financiar produções repetitivas e de pouca expressividade, em sua maioria comédias românticas, atuadas por astros da mídia. Filmes medianos como Sexo, Amor e Traição ( a versão original em espanhol é bem mais interessante), Romeu e Julieta, Como fazer um filme de amor, Se eu fosse você, dentre outros, apenas reforçam a imagem dos atores de novelas. E a TV aberta, a fazer grande marketing de suas produções, insistentemente cria uma aura de qualidade sobre seus filmes como se fossem clássicos. É o caso de Olga e Dois Filhos de Francisco, duas produções que deixam a desejar. Enquanto isso , bons diretores brasileiros (Hector Babenco, Fernando Meirelles, Walter Salles, Bruno Barreto) realizam bons filmes estrangeiros – veja Ironweed de Hector Babenco, por exemplo.

- Como gostar de cinema brasileiro?

Parece que nosso cinema chega agora a pontos cruciais: o público está conscientizado de que o cinema no Brasil pode atingir padrões de qualidade internacional; a quantidade de curtas e longas metragens vêm crescendo; financiamento têm chegado às mãos de produtores.
O que falta ainda, acredito, é a estabilidade desses processos. Considerando: muitos cinemas não têm interesse em apresentar os filmes, sendo exceção as comédias românticas; a má distribuição de recurso estatal é fato, e muito discutido na política pública; há falta de valorização e publicidade em torno de filmes engajados ou com fins artísticos. Somente a resolução dessas questões irá colaborar para o desenvolvimento da indústria cinematográfica brasileira.
E eu, o que posso esperar? Ir na locadora, pegar um bom filme ... ah ... sim ... gosto de cinema brasileiro !

1 Comments:

At 12:24 PM, Anonymous isabela sanjuan said...

Aêêê Regis!!Q bom q atualizou seu site..mto bacana seu texto..mto bem escrito..;) vc tá "se perdendo" na medicina..hehe :D beijo beijo beijo

 

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