Cinemaju - Sétima Arte

domingo, agosto 14, 2005


A ILHA

sinopse

Lincoln Six-Echo (Ewan McGregor) e Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson) convivem num complexo, que abriga os últimos sobeviventes de uma grande contaminação que houve na Terra. Todos sonham em ir para A Ilha, único local que saiu ileso, onde os vencedores de um sorteio poderão dar continuidade à espécie.

O Filme

Michael Bay confirma com A Ilha o seu impecável talento para dirigir superproduções. Depois de Bad Boys, A Rocha e Armageddon, ele guia o público em fantásticas cenas de ação, além de criar um universo visualmente belo, e arrancar boa atuação do elenco. Nele, destacamos Ewan McGregor, fazendo o curioso Lincoln; Scarlett Johansson, como Jordan Two-Delta; Steve Buscemi (Fargo), interpretando mais um personagem esquisito; e Michael Clarke Duncan (À Espera de um Milagre). McGregor, após o cult Transpointting, engrena agora nos filmes de ação (a saga Star Wars, A Ilha). Interessante é sua dupla participação, como o clone e o original, Tom Lincoln. Scarlett Johansson, já aclamada por Moça com Brinco de Pérolas e Encontros e Desencontros, faz aqui uma personagem secundária à de McGregor, ficando à margem. Poderia ter recebido mais destaque no filme, considerando seu talento.
A primeira hora de A Ilha é sensacional. A história dos clones confinados num antigo bunker militar, à espera de que possam ser utilizados como doadores de órgãos, é bem criativa. Eles não têm consciência de sua função! Todos estão ali, levando modo de vida regrado, e rotina repetitiva. O brilhantismo está em como eles descobrem que tudo aquilo é uma ilusão.
Os clones são simples “crianças” que começam a descobrir o mundo e questionar o nome, o sentido e as cores das coisas. Artisticamente linda é a cena em que o personagem Lincoln Six-Echo descobre uma libélula no complexo. Ele fica encantado, e investiga-a minuciosamente. Foi o que ocorreu de mais fantástico em sua vida. O filme poderia terminar após essa primeira hora, quando Lincoln e Jordan saem do complexo. A simples idéia de que eles irão descobrir um novo mundo é suficiente (lembrem de O Show de Truman, o filme tem fim, quando Truman consegue deixar o programa de televisão, e pronto). Não é necessário cenas de ação, luta e combate, o fim dos personagens fica a cabo de quem assiste ao filme imaginar.
O roteiro, apesar de apresentar traços de originalidade, lembra Admirável Mundo Novo, baseado no homônimo livro de Aldous Huxley. Não ficou bem coeso—as cenas de ação, apesar de sensacionais, poderiam ser moderadas, inclusive o embate entre polícia e esquadrão; a graça do filme é bem clichê, como a cena do banheiro ou a do cartão de crédito; os personagens poderiam ser mais sutis em suas descobertas, ou menos maliciosos, no caso de Lincoln; o final do filme simula um verdadeiro videoclipe, com os protagonistas se beijando, música erudita, e os clones, vestidos de branco, caminham em direção ao alto de uma montanha. Só faltou tocar “We are the World” ou “Imagine”! Também, o líder do esquadrão, que passa o filme todo perseguindo os clones, no videoclipe final é valorizado, e se torna herói, pois o roteirista inventa uma baboseira de que no passado o personagem foi marcado como inferior e seu pai morto. Curiosa, é a história de que a memória das pessoas originais é passada para os clones, como se estas ficassem armazenadas nas células embrionárias. É uma concepção errada do roteirista (o mesmo foi feito em O Enviado, com Robert de Niro).
Acredito que o filme poderia ter sido baseado no roteiro de sua primeira hora. Porém, por ter sequência de ação rápida e ser bem dirigido, o filme garante diversão a todo público. Com certeza, recheará as bilheterias, e atiçará discussões éticas.

4 Comments:

At 1:22 AM, Anonymous Dinizzzz said...

Oh cara, vou entrar sempre. Adoooro cinema. Se quiser posso escrever sobre também. Mas normalmente sobre clássicos. podia criar uma parte do blog. Eu não vejo filmes no cinema, raramente. Adoro alugar.
Me adiciona aí dinizcsp@hotmail.com

 
At 8:45 PM, Anonymous Vitor Lisboa - primo de Mario said...

Pô "Reginaldo - um cara legal", ficou bom mesmo o blog. Tá de parabéns pela iniciativa e está sendo um trabalho bacana... teh mais cara

 
At 10:41 PM, Anonymous isabela sanjuan said...

Oi!!
O filme é ótimo..mto interessante..vale a pena assistir..:) pena q tá sendo um fracasso de bilheteria..ñ merecia..
Ah!A descrição do filme tb tá mto boa..:)

 
At 12:58 PM, Anonymous Danilo Pinheiro said...

OI Régis!
Concordo com sua visão do filme... Todo o início cria a ilusão de um filme excepcional, seja em termos de roteiro ou estéticos. Porém, todo o desenrolar da história, com cenas em que clones se tornam verdadeiros super-heróis, terminam por fazer bocejar quem esperava uma verdadeira discussão em torno da complexidade que é a manipulação genética. Uma pena... mas como vc msm disse, garante uma diversidade maior de público. Abraco!

 

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